Uma vez eu ouvi de uma pessoa que todas as histórias de amor são iguais e desde então levei isso como a minha verdade absoluta, como o meu escudo protetor contra qualquer sentimento que pudesse surgir. E levei essa mentira sincera comigo até um determinado dia, ou melhor, até o dia vinte e cinto de Agosto.
Eu sabia que a partir desse dia eu poderia conhecer os céus e os infernos, a alegria e a dor, o sonho e a desesperança. Sabia que a partir daquele dia o amor me guiava, embora já estivesse presente (em menos intensidade) desde aquele momento em que o vi pela primeira vez. E em meio a tantas possibilidades o medo ainda me atormentava. O medo do novo, ou melhor, o medo do de novo. E nesse misto de sensações, surgiam as perguntas sem respostas.
Eu não conseguia entender porque estava agindo daquela maneira. Justo eu que acreditava ter me libertado de todas essas sensações humanas. Eu já não sabia o que dizer. Fiquei tenso por alguns instantes. Depois a tensão virou (novamente) medo e o medo me fez ter vergonha de mostrar o meu afeto.
Mas quando se trata de amor não há tempo nem espaço para questionamentos. O amor fala por si só e age por si só e eis que se entregar livremente é a melhor saída. O amor se descobre e permanece, através da pratica de amar.
Não adiantava mais fingir não enxergar uma verdade que estava diante dos meus, dos seus, dos olhos de todos que estavam em minha volta. Todos os caminhos do mundo me levavam a você e isso era inevitável.
E esse sentimento foi surgindo aos poucos, quebrando toda essa casca no qual eu me escondia, e hoje acredito que eu estava te esperando todos esses dias. Milhares de vezes eu havia imaginado esse momento que estou vivendo agora, os cenários ao nosso redor. Imaginava te dizendo que você era bem-vindo, que podia chegar de mansinho dizendo que também esteve me esperando por todo esse tempo.
Neste momento eu sinto que eu venci uma batalha entre meu coração e a minha aparente razão. E hoje eu vejo que o amor tomou conta de tudo e já não me interessa o que é possível ou impossível, o que é verdade e o que é mentira. As paredes que eu mesmo criei desmoronou e vejo que o amor só consegue sobreviver quando há esperança, por mais distante que seja. E eu a tenho.
Ele parou por alguns instantes naquela madrugada e ficou um longo tempo olhando para o meu rosto. E com um longo suspiro disse uma frase muito simples e que mudou todo o meu eu.
E com um longo suspiro te digo nesse momento: “Eu também. Eu também te amo!”
