domingo, 27 de setembro de 2009

# Entrelinhas '




(...)

Ele quer apenas o sim, a aceitação da escolha, nada do não, da renúncia! Ele ilude a si mesmo: faz escolhas, mas se recusa a ser aquele que escolhe. Sabe que é um desgraçado, mas não sabe que o é pela coisa errada! Espera de mim alívio, conforto e felicidade (...). Compreendo a minha desgraça e ela é bem-vinda. Porém, sei o que é ser perturbado por alguém que eu amo e odeio!


Finalmente! Uma discussão digna de minha atenção – uma discussão que prova grande parte do que pensei. Eis um homem tão oprimido pela gravidade – sua cultura, sua posição, sua família – que jamais conheceu sua própria vontade. Tão preso à conformidade, que parece espantado quando falo de escolha, como se estivesse falando uma língua estrangeira. (...)
Quando o confronto com o fato de que permitiu que sua vida fosse um acidente, ele nega a possibilidade de escolha. Ele me diz que ninguém imerso em uma cultura dispõe de escolha. Quando delicadamente o confronto com a ordem de Jesus de romper com os pais e a cultura na busca da perfeição, ele declara meu método etéreo demais e muda de assunto. É curioso como ele teve o conceito ao seu alcance em uma idade precoce, mas nunca desenvolveu a visão pra enxergá-lo. Ele era “o rapaz infinitamente promissor” – como todos nós somos – mas nunca entendeu a natureza de sua promissão. Ele nunca entendeu que seu dever era aperfeiçoar a natureza, superar a si mesmo, sua cultura, sua família, seu desejo, sua natureza animalesca brutal, para se tornar quem ele foi, o que ele foi. Ele nunca cresceu nunca se desvencilhou de sua primeira pele: ele confundiu a promissão com a realização de objetivos materiais e profissionais. E quando alcançou esses objetivos sem jamais ter aquietado a voz que dizia “Torna-te quem tu és” recaiu no desespero e invectivou a peça nele pregada. Mesmo agora ele não capta a verdade!
Existe esperança para ele?

(...)

[ Quando Nietzsche chorou ]

Nenhum comentário:

Postar um comentário