
Era uma armadilha. Assim quando mais tarde aquela música tocasse no rádio, ou em um cd qualquer, eu iria me lembrar – de tudo. Na época em que o outono de minha vida se transformou de novo em primavera. No entanto, essa música está aparentemente tão distante dos meus ouvidos. Na realidade, creio que ela nunca mais tocou. Acho que eu estou ficando louco ou então alcoólatra, visto que já bebi três copos de vinhos. Exagero, talvez. Disseram-me que admiram a luta que estou travando com o meu coração. Mas estão enganados, porque já lutei e o venci há muito tempo – ou talvez não. Não vou me apaixonar pelo impossível. Mas será que se apaixonar pelo possível teria graça? Entro em conflito comigo mesmo, com meus pensamentos. Pensamentos esses que sempre me atrapalharam. Talvez se não pensássemos tudo seria mais fácil, mais rápido. Iríamos nos entregar, deixaríamos acontecer de uma forma tão mágica. E o principal de tudo, não estaríamos pensando em absolutamente nada. Não, essa música do Cazuza (Codinome Beija-Flor) não é a ‘música’ que eu gostaria de ter mais perto de mim, mas perto dos meus ouvidos,apesar de ter me inspirado para escrever essas palavras vazias,que ninguém ou quase ninguém venha a ler. Na realidade, admiro a letra. E ela me acompanha a um bom tempo! Por falar em acompanhar, as músicas são as únicas coisas que estão sempre conosco. Não nos magoam, não nos deixam, não contam mentiras e assim por diante! Elas simplesmente nos deixam em um estado de graça inexplicavelmente bom. E pra vocês terem uma idéia de como elas estão sempre presentes em nossas vidas sem que nós nos percebêssemos ou sem darmos um valor à elas, tudo na sua e na minha vida tem uma trilha sonora. A música de quando você era criança e que sua mãe cantava pra você dormir ou até mesmo aquelas cantigas que você aprendia no colégio, a música do primeiro beijo e aquela que você sempre cantava com seu melhor amigo. A música do seu desenho, filme ou até mesmo seriado favorito. A música do seu primeiro namoro, da sua primeira briga nesse namoro, na sua reconciliação. A música de quando você realmente se deu conta que estava amando, e até mesmo a música de quando você se deu conta que deixou de amar. A música de quando descobriu que estava apaixonado novamente e até mesmo a música que você escuta ou já escutou quando está decepcionado, desanimado ou até mesmo desiludido. Enfim, elas nos acompanham sempre. E cada uma tem sua história. Vocês podem perceber que escrevo em desordem, e é assim que sinto que está “aqui dentro”. Literalmente uma bagunça, que aos poucos eu vou tentando arrumar, limpar. Mas por enquanto eu simplesmente vou. Acho que é por isso que meu caminho não é tão difícil de seguir, visto que eu não tenho nenhum caminho ainda. Não tenho nenhuma ‘referência’. Talvez até tenha, mas me deixem pensar assim. Dessa maneira eu simplesmente sigo sem planejar absolutamente nada, sem ter um ‘lugar’ especifico,a não ser o de todos os dias. E no meio dessa bagunça de idas e vindas, a gente se encontra.Ufa, acho melhor eu parar por aqui, visto que já é noite e eu tenho que descansar, já que cumpri com obediência o papel de me ser hoje. Aos poucos meu coração sossega. Sim, eu conheço bem os meus limites, e sei me controlar. Deixem-me pensar assim. Antes de tudo, depois dessa bagunça de sentimentos, só gostaria de saber se os inúmeros acasos da minha vida têm mesmo algum sentido mais profundo, ou se são apenas isso: inúmeras situações 'caricatas' que acontecem por mero acaso. Será que é pedir muito?

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